segunda-feira, 11 de julho de 2011

Na primavera

Nunca havia me apaixonado por alguém, sempre fui durão e não deixava o sentimento fluir. Era medo. 
Em outubro conheci um rapaz. Ele não fazia meu tipo, mas quando o vi pessoalmente acabou me conquistando com sua simpatia. Na mesma semana que nos vimos pessoalmente ele veio em minha casa. Nos beijamos muito mas não fizemos amor. Tudo parecia estar bem. Passávamos o dia conversando, ele me contava de suas aventuras e descobertas. Tinha amigos muito bem sucedidos e bem mais velhos que nós. Quando saíamos, como eu não tinha muita grana e os lugares que ele me levava eram de alto nível, ele sempre pagava mesmo quando eu insistia que não sempre me convencia e bancava tudo. Não achava isso certo afinal ele dá muito duro, trabalha muito e muito esforçado. Me sentia, as vezes, um explorador. Não sou interesseiro, pra mim sempre foi o básico e não dou enfase em isso na minha vida. Acho que o conhecimento, os estudos, as amizades e a família são muito mais importantes. Bem o tempo foi passando e depois cada vez que nos encontrávamos eu gostava mais e mais dele. Fui sincero quanto aos meus sentimentos e deixava claro que ele era muito importante para mim. Ele não é como eu, é mais fechado e introvertido, ao menos comigo, ele era assim. Eu sentia saudades dele, me preocupava muito com ele e sempre que ele não podia me ver eu ficava muito triste. Não prometemos nada um para o outro, não fizemos planos e concordamos que naquele momento não era hora de compromisso. Mesmo sabendo disso eu me deixei levar e me encantava com ele mais e mais. Seu sorriso, sua pele, sua voz meio enrolada, seu cheiro, seu andar, suas mãos, seu olhar ... tudo nele eu gostava. Ele não vinha muito em minha casa, e eu nunca fui na dele pelo fato de não ser assumido pros pais e muitos amigos. Não o julgo afinal cada um é cada um e sabe o que é melhor. O fato foi que com o tempo ele, talvez não intencionalmente, foi se afastando de mim, quando o chamava pra dormir comigo, estava sempre cansado ou não podia dormir fora por causa dos pais, mas na mesma semana ia dormir na casa de amigos ou ia para algum bar com eles e passava toda noite fora. Como estava apaixonado não via o que estava acontecendo, ele estava cada vez mais e mais distante. Quando abri meus olhos era tarde, eu já estava apaixonado de uma forma que pensava nele o dia todo e a noite sentia vontade de estar com ele ali na minha cama. Foi duro ouvir dele que gostava de mim apena como um amigo como um irmão. Essa talvez seja a frase que mais me arrasou. Mesmo vendo o meu sentimento ele continuou a sair comigo e a vim para minha casa quando queria. Não me avisou em nenhum momento que pra ele era só amizade. Então o questionei se dormia e fazia sexo com todos seus amigos e irmãos. Nunca fui tão magoado dessa forma. O pior de tudo isso é que mesmo depois dessa sacanagem (risos) eu quero ele comigo, abraça-lo, beija-lo, ter o carinho que ele me dava. Não consigo me conformar nem me confortar, parece um buraco frio no meu peito que chega a doer. Nos últimos dias não consigo me concentrar em nada, estou sem rumo e perdi o foco. Não pensava que sofrer por alguém seria tão ruim assim. Vive sem ele durante toda minha vida, sei que consigo continuar sem ele mas é tão difícil, doí tanto. Queria o ter aqui comigo. Mas a vida continua, vou tentar não me fechar e ser forte, não quero esquece-lo mas deixar de gostar tanto assim dele. Meu carinho vai continuar e ele sempre vai ter um espaço no meu coração. 

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